Controle da transmissão transfusional da doença de Chagas na Iniciativa do Cone Sul

Dias JCP & Schofield CJ 

    O Triatoma sordida é uma espécie predominantemente peridomiciliar e, atualmente, a mais capturada no Brasil. Para melhor compreender a resposta deste triatomíneo às atividades de controle, uma pesquisa de infestação triatomínica foi realizada em outubro de 1993 em 12 localidades rurais do município de Porteirinha, MG, Brasil. Foram capturados 772 exemplares de T. sordida, dos quais 3.6% estavam infectados pelo Trypanosoma cruzi. Dentre as 406 unidades domiciliares pesquisadas, 34.,9% estavam infestadas. Dos 695 ecótopos peridomiciliares estudados, 27,6% foram positivos para a presença de T. sordida. O estudo revelou um peridomicilio simples, com poucos ecótopos positivos por unidade domiciliar e baixa densidade triatomínica (colonias de no máximo cinco insetos). O estudo constatou uma associação entre presença de triatomíneos e ecótopos de madeira: 72,8% dos triatomíneos foram capturados neste tipo de ecótopo. Entre as unidades domiciliares positivas, 62,9% ficavam próximas do ambiente silvestre (12 a 299 m); 92,3% dos ecótopos infestados ficavam a menos de 20 m das casas. O censo de animais peridomiciliares revelou que as galinhas correspondiam a 82.7% dos animais. As unidadaes domiciliares infestadas foram imediatamente borrifadas con deltametrina (25 mg i.a./m2). Novas pesquisas de infestaçao foram feitas 7 meses (pesquisa 2) e 1 ano (pesquisa 3) após a borrifação. Na pesquisa 2 o número de triatomíneos correspondeu a 52,5% da população original e, na pesquisa 3, a 79,1% da mesma. A redução do número de triatomíneos capturados na pesquisa 2 incidiu principalmente sobre as ninfas. A grande proporção de adultos capturados nessa ocasião confirma a existencia de apenas um ciclo anual do T. sordida na região. Na pesquisa 3 o aumento de número de ninfas demonstrou crescimento desta população, utilizando-se da grande disponibilidade de galhinas para alimentação. Apesar das dificultades de borrifação e da baixa permanencia do inseticida no peridomicilio, a existencia de apenas um ciclo anual do triatomíneo e a lentidão na reconstituição da população original sugerem que uma borrifação anual é suficiente para controle do T. sordida. Maior eficiencia poderá ser obtida com a eliminação dos esconderijos, através da substituição do material usado na construção dos anexos, principalmente a madeira.